Um estudo aprofundado sobre a doutrina do Espírito Santo, desde Sua atuação no Antigo Testamento, passando pelo ensino de Jesus e a experiência do Pentecostes, até a vida da igreja primitiva.
Pneumatologia é o ramo da teologia que estuda o Espírito Santo. Este estudo, preparado para o Seminário Teológico Batista do Rio Grande do Sul, procura expor o leitor a um resumo de pesquisas referentes ao estudo das passagens bíblicas fundamentais na temática do Espírito Santo, bem como um tratamento teológico sistemático dos conceitos pertinentes.
Para este estudo, os alunos utilizarão três livros textos principais, além da apostila e leituras complementares em regime de pesquisa individual.
O ensino do Antigo Testamento forma a base para o trabalho teológico do Novo Testamento. O termo hebraico ruach (רוח), geralmente traduzido por "espírito", tem o sentido básico de "ar em movimento". Pode denotar o sopro, o fôlego, um vento tempestuoso, ou o que hoje chamamos de "espírito".
Para facilitar a compreensão do conceito bíblico expresso por *ruach*, é proveitoso empregar o termo “sopro”. O termo “sopro” facilita a compreensão do conceito expresso em Gênesis 1.2, por exemplo, de que Deus estava presente, e o Seu sopro movia as águas. Deus não pode ser visto, como o vento também não se vê, mas percebe-se a sua existência, presença e atuação presente. É "Deus em movimento".
"E a terra era sem forma e vazia; e havia trevas sobre a face do abismo; e o Espírito de Deus se movia sobre a face das águas."
Gênesis 1:2O termo *ruach* é usado 346 vezes no Antigo Testamento. Os usos são variados, não podendo ser restritos ao conceito "espírito". A melhor tradução genérica para o termo seria "sopro", refletindo o sentido mais genérico, podendo então ser compreendido conforme o uso no contexto específico.
Em Gênesis 1.26, onde Deus diz "Façamos o homem à nossa imagem", muitos procuram uma referência à Trindade. No entanto, a doutrina da Trindade é revelada no Novo Testamento. O termo pode ser um plural de majestade ou uma referência à corte celestial, onde Deus se dirige a outros seres.
Em Gênesis 2.7, Deus forma o homem do pó da terra e sopra em suas narinas o fôlego de vida (neshamah hayyim). O homem, então, torna-se uma alma vivente (nefesh hayah).
A *neshamah* designa o fator que dá vida ao homem, o princípio vital. A *nefesh* refere-se à pessoa como uma unidade completa. O conceito bíblico é de que o homem é uma unidade indivisível, não um composto de corpo, alma e espírito (como no pensamento grego). O homem é uma alma vivente.
No período dos Juízes, o *ruach* (Sopro) de Deus vinha sobre indivíduos específicos para capacitá-los a libertar o povo de Israel.
O Novo Testamento revela uma interiorização e uma nova dimensão da atuação do Espírito. O que antes era um "sopro" que vinha sobre os profetas e juízes, agora habita dentro do crente.
João Batista proclama que Jesus os "submergirá no sopro do Santo". Esta imersão no Espírito é cumprida no Pentecostes (Atos 2).
Jesus ensina que o Espírito é o "outro Consolador" (Paráclito) que viria para estar com os discípulos para sempre. O Espírito convence o mundo do pecado, da justiça e do juízo, e guia os crentes a toda a verdade. A presença do Espírito é uma interiorização da presença de Deus.
O livro de Atos é a continuação do ministério de Jesus através do Espírito Santo atuando na vida dos discípulos. A vinda do Espírito no Pentecostes (Atos 2) os reveste de poder para serem testemunhas "até os confins da terra".
O Espírito Santo é o doador dos dons espirituais para a edificação da igreja.
Os dons são dados a toda a igreja para edificação do corpo de Cristo. Ninguém tem todos os dons, mas todos os dons são importantes e operam pela vontade do Espírito. O propósito dos dons não é o exibicionismo, mas o amor e o crescimento da comunidade de fé.
Paulo lista cargos (apóstolos, profetas, evangelistas, pastores-mestres) como "dons" dados à igreja para o aperfeiçoamento dos santos e a unidade da fé.
Romanos 8 e Filipenses 4.11-13: A vida no Espírito é uma vida de libertação da lei do pecado e da morte. É uma vida onde aprendemos a nos contentar em qualquer situação, não porque as dificuldades desaparecem, mas porque o Espírito nos dá forças e nos ensina a depender de Deus.
A teologia do Espírito Santo nos revela que Deus está presente e ativo em nosso mundo e em nossas vidas. O Espírito é o "Sopro" divino que nos vivifica, nos santifica e nos capacita para o serviço. Ele é Deus conosco, não como uma força impessoal, mas como uma Pessoa que nos guia, ensina e intercede por nós.
"E não entristeçais o Espírito Santo de Deus, no qual fostes selados para o dia da redenção."
Efésios 4:30Que o Espírito Santo nos guie em toda a verdade e nos capacite a viver para a glória de Deus.