Uma análise sistemática sobre a identidade, os atributos e a obra de Deus, explorando Seus nomes, Sua soberania, e a profunda relação entre ciência e teologia.
Esta apostila, preparada pelo Pr. Christopher B. Harbin, procura expor o leitor a um resumo de pesquisas referentes ao estudo das passagens bíblicas fundamentais na temática da teodicéia (estudo de Deus), bem como um tratamento teológico sistemático dos conceitos pertinentes.
Todo esforço interpretativo bíblico deve estabelecer o ponto de partida do intérprete. Os pressupostos abaixo informam o processo deste estudo:
Nunca ocorreu aos autores do Antigo Testamento provar a existência de Deus. Tal assunto teria sido absurdo. Os narradores bíblicos procuraram especificar qual, dentre os deuses conhecidos, foi Aquele que chamou a Abrão – o próprio Criador de todo o Universo.
Reflete uma face mais pessoal de Deus, Deus em relacionamento com a humanidade. É Deus em sua imanência, ou atividade presente e relacional. O nome pode ser explicado como "Ele é" ou "Ele será" (Êxodo 3.14).
Designa Deus com enfoque em sua transcendência. É a face de Deus que se estende além de um relacionamento pessoal – o rei soberano do universo em toda a sua majestade, autoridade e poder. O termo pode ser visto como um "plural de intensidade" ou "de majestade".
No contexto do espiritismo afro-brasileiro, outros "deuses" (orixás e exús) equivalem aos deuses restritos a localidades bem restritas, conforme vistos nos conceitos hebraicos. YHWH é aquele único Deus que está por detrás, acima e além das concepções falhas de deuses entre todos os povos.
O povo hebreu não compartilhava a forma atual de conceitualizar e falar de ciência. O propósito central das narrativas bíblicas é teológico, não científico. "O Antigo Testamento nunca teve a pretensão de ensinar ciência."
"Calvino entendeu que a Bíblia não era um livro fonte de ciência natural. O propósito das Escrituras consistia em revelar o que era proveitoso saber sobre Deus e sobre nós mesmos."
O que se percebe como conflito entre teologia e ciência tem mais a ver com a forma de expressar a verdade do que um conflito em si. A Bíblia foi escrita para induzir a humanidade a um relacionamento íntimo e pessoal com o único Deus.
Para compreender plenamente o texto bíblico, é importante conhecer a cosmologia do povo hebreu. Eles percebiam o mundo com os mesmos conceitos "científicos" dos outros povos da época, mas faziam distinções teológicas importantes. O texto bíblico usa termos como "abismo", "firmamento" e "janelas dos céus", que refletem essa antiga perspectiva.
A terra era concebida como um disco plano que flutuava em cima de água. O "abismo" referia-se às profundezas imensuráveis debaixo da terra. O firmamento era a barreira que separava as "águas acima" (chuva) do mundo habitado.
Embora estruturalmente semelhantes ao hebraico, as cosmologias egípcia e babilônica interpretavam o mundo através das ações de um panteão de deuses em constante conflito. O relato bíblico de Gênesis, porém, apresenta um Deus soberano que age por vontade própria, sem necessidade de lutar contra outros deuses para impor ordem ao caos.
O Antigo Testamento aceita a existência de muitos seres além do homem, mas não concentra sua atenção neles. A Bíblia nega a existência de outros deuses (em comparação com a grandeza de YHWH) e não chega a dar muita orientação sobre detalhes específicos de demônios ou anjos, a não ser como portadores de mensagens (mal'ak).
Muitos evangélicos hoje, na prática, tratam Satanás e seus demônios como adversários quase tão poderosos quanto Deus, focando mais no medo do que na proteção divina. No Antigo Testamento, porém, o mal e a oposição a Deus estão sempre subjugados sob a soberania inconteste de YHWH. O "Satanás" como figura principal é um conceito que se desenvolve no período intertestamentário e é clarificado no Novo Testamento.
A doutrina da soberania de Deus é central na fé reformada. A apostila discute que a vontade de Deus não deve ser vista como um destino inescapável e cego, mas como a certeza de que Deus opera um propósito redentor para a humanidade.
A oração não é uma fórmula mágica para receber o que queremos. É, sobretudo, um ato de dependência de um Deus que é relacional.
Na oração, não devemos nos concentrar na "técnica" de orar ou no "nome de Jesus" como uma palavra de poder mágica. O "nome de Jesus" é uma expressão que representa a autoridade, o caráter e a pessoa de Jesus. Orar "em nome de Jesus" significa orar em consonância com os propósitos de Deus, buscando a Sua vontade e não a nossa.
A oração é, portanto, um diálogo com Deus que requer confiança e submissão.
"Pedi, e dar-se-vos-á; buscai, e achareis; batei, e abrir-se-vos-á."
Mateus 7:7Que possamos conhecer a Deus não apenas com a mente, mas em um relacionamento pessoal e transformador.